segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Eugénio de Andrade e Carlos Alexandre



Aos jacarandás de Lisboa 











São eles que anunciam o verão.

Não sei doutra glória, doutro

paraíso: à sua entrada os jacarandás

estão em flor, um de cada lado.

E um sorriso, tranquila morada,

à minha espera.

O espaço a toda a roda

multiplica os seus espelhos, abre

varandas para o mar.

É como nos sonhos mais pueris:

posso voar quase rente

às nuvens altas – irmão dos pássaros –,

perder-me no ar.




in Os Sulcos da Sede, 2001






ALEXANDRE, Carlos, "Lisboa, Av. da Liberdade"



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