sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Eugénio de Andrade e autor desconhecido

Lisboa



Alguém diz com lentidão:
"Lisboa, sabes..."
Eu sei. É uma rapariga 
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus até ao rio. Eu sei. E tu, sabias?



in Até Amanhã, 1956


Autor Desconhecido, "Lisboa, Sorrisos"

Sem comentários: