segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Uma Imagem, Dois Textos...



Benoit COLSENET, “Figure Seule 2
 
 
 
 



Só.

Como pode uma palavra tão pequena

pesar tanto?

 
 
 
(SV) 
 
  
 
 
 
Escutas. Navegas neste murmúrio de areias fugidias. “Vem”, dizes. “Traz-me o velho bater do tambor que me aqueceu”. Surges ao longe, numa espiral de dor silenciosa, envolta na ilusão de uma onda súbita que vos empurre ao encontro de velhos tesouros. Observo o teu corpo que se aproxima lentamente, feito lânguida duna de um espasmo já quase esquecido. Que nevoeiro é este que vos enlaça? Porque olhas e não mais caminhas? Estendes os braços. Crocitam os corvos que vos sobrevoam, atentos, tensos. Há um estranho ribombar de sons que te persegue agora. Falas. Compreendes a surdez? Sim, porque gritas agora. Mas quem te vê não te entende.
 
 
Olhos-Diálogo.
Deserto de abandonos.
 
 
(PM)
 

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