segunda-feira, 29 de abril de 2013

"Olhares sobre Lisboa" - os sons do Rossio

Oiço a água a cair nesta praça, entregar-se ao vento e ao abismo. Uma gota atrevida experimenta outro caminho e voa no bico de uma pomba, numa alegria efémera e inútil. Sinto o vento gelar-me o corpo de alma fria que, aos poucos, o sol aquece, num abraço-tu. E lembro-me do teu calor-sol, que me aquecia e iluminava  com um simples sorriso-abraço que ainda hoje trago comigo. Não sei onde estás agora. Em mim certamente. Onde mais?
Um homem escuro, de óculos de sol verdes, cruza o espaço, arrastando uma mala preta. Um outro, de barba branca, coxeando, segue uma linha perpendicular ao primeiro. Outro ainda, surge ao longe, sem pressa, e pára, pasmando para o monumento que se encontra no centro da praça.
Nenhum deles tu... E o vento encolhe-me, por fora e por dentro, e eu deixo-me ir com ele e contigo...
(SV)
 
 
     E há a cumplicidade de palavras trocadas entre gentes que procuram o sorriso desta cidade. E neste sussurro, que caminha ao lado de sons metálicos de um progresso implacável, oiço a água que me leva à aventura. Gritam os piratas, descobrem-se terras exóticas, choram as viúvas nos cais, lamentam-se os filhos. E ganham cores todos estes sons, formas também. E sorri-nos esta Cidade-Menina-e-Moça, num rodopio de colinas.
 
(PM)
 
 
 

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