domingo, 4 de novembro de 2012

José Tolentino Mendonça e Henri Matisse


Uma canção debaixo do dilúvio


 

 

 

 

Ocupam-nos com a sua feroz solidão
e conhecemos o seu cheiro, o consumo difuso,
o visível de ambos os lados

 
Diante deles não é possível dissimular
a ironia ou a piedade

 
Esperam por nós entre diversas combinações
à superfície e para além disso

 
Um amigo é uma machine à habiter
o vento pré-histórico das montanhas geladas

 
Talvez pertençam a outros mundos
pois nos abraçamos sempre como sobreviventes

 
Com eles podemos arrancar uma canção
debaixo do dilúvio

 

 
in Estação Central, 2012
 
 
 
Henri MATISSE, "La Danse"

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