segunda-feira, 9 de julho de 2012

Jorge de Sena (e pintura africana)

Tu És A Terra...











Tu és a terra em que pouso.
Macia, suave, terna, e dura o quanto baste
A que teus braços como duas pernas
Tenham de amor a força que me abraça.


És também pedra qual a terra às vezes
Contra que nas arestas me lacero e firo,
Mas de musgo coberta refrescando
As próprias chagas de existir contigo.


E sombra de árvores, e flores e frutos,
Rendidos a meus gestos e meu sabor.
E uma água cristalina e murmurante
Que me segreda só de amor no mundo.


És a terra em que pouso. Não paisagem,
Não Madre Terra nem raptada ninfa
De bosques e montanhas. Terra humana
Em que me pouso inteiro e para sempre.




(retirado de imagens "Google", sem identificação de autor nem título)

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