quinta-feira, 5 de abril de 2012

Uma Imagem, Dois Textos...


Casper David FRIEDERICH, "Wanderer Above The Mist"



Distância
Diz!
Corpo feito de gotas
Plim… 
Plim…               
                Plim…

Olho o céu. Levam-me, lentamente, os tecidos brancos que se entrelaçam
em labirintos azuis.
Surges, tímida,
corpo volvido mar onde navego.
Deusa transparente.

É intemporal o teu sorriso.

Diz-me…



Queres vir brincar com as nuvens?

(PM)





O viajante sobre o mar de névoa


Tens razão. Tens razão. A minha alma é solitária. Gosto da solidão. Do silêncio. Do nada. Do tudo. De me perder na multidão. De me encontrar na quietude de um lago de águas paradas. De me afundar no azul revolto das ondas do mar. Quero partir. Vou partir, disse-te eu. Para onde?, perguntaste, um olhar aflito. Rumo ao infinito. Preciso do infinito. Preciso de o encontrar, de saber como é. Esperavas mais de mim, eu sei. Precisavas que estivesse mais ao teu lado. Eu também quero a tua companhia. Aliás, preciso dela. Da tua força. Da tua certeza. Porque eu sou feito de incertezas. De inconstâncias. De distâncias. Preciso de me perder para depois me encontrar. Te encontrar. Quero o abismo. Quero lançar-me sobre a névoa de incertezas que me corrói e impede de viver a doçura do teu olhar. Quero dizer-te: vem comigo. Mas não consigo. Preciso de ir sozinho. Ainda que te leve comigo. Sempre. Estás sempre comigo. Tu não o sabes. Mas estás. Sempre. E quando digo sempre, quero mesmo dizer sempre. Porque eu preciso de ti. Preciso de acreditar em ti para poder voltar. Para ter para onde voltar. Para ter por que voltar.

(SV)


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