segunda-feira, 10 de maio de 2010

Maria do Rosário Pedreira e Edward Hopper

Esta manhã encontrei o teu nome



Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.



                                                             Edward HOPPER, "Morning Sun", 1952

3 comentários:

Anónimo disse...

Magnífico!

brih disse...

Simplesmente maravilhoso seu blog...parabens pela escolha dos textos e das telas...de muito bom gosto...

um minuto com... disse...

Olá, brih.

Obrigado pela visita e pelo comentário. Esperamos continuar a agradar e a divertirmo-nos também.

Um Minuto com...