segunda-feira, 2 de novembro de 2009

... Eugénio de Andrade e Joaquín Sorolla

À Boca do Cântaro





Caminha sílaba a sílaba
Como a fonte
Que só pára à boca do cântaro.
Aí consente partilhar a água.
À audácia dos jovens, à timidez
Dos que já o não são, mata a sede.
Aos que tropeçam na falta
De amor, aos que mordem as lágrimas
Em segredo, dá a beber.
Leva aos lábios febris
A frescura da pedra. Não deixes
O medo multiplicar as garras.
Sílaba a sílaba
Caminha até ao cântaro
vazio. – Tão cheio agora!


Joaquín SOROLLA, "Jardim da Casa de Sorolla"

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